sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Como passear com cães nervosinhos ou realmente agressivos
Como passear com cães nervosinhos ou realmente agressivos
Por Ayrton Mugnaini Jr, especial para o Yahoo! Brasil
O cão pode ser parente até bem próximo do lobo, mas não recebeu o nome "canis familiaris" à toa. E este nome não foi a única coisa que ganhou do ser humano quando ambos se conheceram há milhares de anos.
Num ambiente onde seres humanos são maioria (embora às vezes não pareça!), o ser canino pode ser considerado "quase humano", vivendo de acordo com as leis humanas, sem precisar sobreviver e conseguir o que desejar na base da mordida, como fazia em seu tempo de selvagem. E para não maltratar ninguém ele deve ser bem tratado, com socialização atenciosa e bem realizada.
Nunca é demais lembrar a importância da boa socialização, especialmente se o canino for dos mais rebeldes e dominantes. Como já afirmei, quem toca guitarra ou canta mais ou menos pode até ganhar a vida sem machucar ninguém, mas dirigir automóvel, fazer cirurgias ou socializar um cão são atividades que só admitem duas alternativas: ou se faz muito bem, ou se delega a tarefa a quem faça muito bem.
É claro que, do mesmo jeito que muitas pessoas têm sangue quente e "viram bicho" por tudo e por nada, necessitando de mais autocontrole e às vezes até controle externo dos grandes, há muitos cães que se tornaram ou já nasceram estressados, cuja socialização é bem mais difícil, até fazendo jus à plaquinha "Cuidado, cão anti-social!" no portão.
Mas o fato de o cão ser muito bravo (especialmente se "trabalhar" como cão de guarda) não significa que ele deva passar a vida encarcerado sem direito a passear e se divertir como outros cães - desde que o dono ou pessoa encarregada de passear com ele saiba e consiga manter a fera sob controle.
Conhece teu cão como a ti mesmo
"Não se preocupe, ela só morde carteiros!" É esse o aviso bem humorado que meu filho Ivo, oito anos de idade e convivência com cães, dá a quem desconfia do jeito bravo de Mila, sua vira-lata de uns quatro anos (já falei dela em outras ocasiões) que ainda está se livrando do trauma por ter sido abandonada pelo antigo dono e efetivamente tornou-se famosa na vizinhança por avançar para morder carteiros, entregadores de gás e outras pessoas de uniformes semelhantes.
Só fomos perceber isso após Mila morder duas ou três pessoas. Realmente, devemos estar atentos a quem colocamos dentro de casa. E às vezes o canino se torna perigoso por "culpa" do dono que ou esquece de lhe dar atenção e conforto, deixando-o preso por muito tempo, ou, se o cão for filhote, acha "bonitinho" vê-lo bancando o Chiquinho Gavião e puxando briga com todo mundo - sem imaginar que o peludinho irá se tornar um peludão perigoso e não tão "bonitinho" assim. São descuidos como esse que dão a Pitbulls e Rottweilers a fama injusta de feras altamente perigosas e totalmente indomáveis.
Ivo e eu já aprendemos. Ao passearmos com Mila e divisarmos alguém do perfil que ela "adora" se aproximando, diminuímos o tamanho da guia para evitar que ela se aproxime muito e, se ela faz menção de atacar - o que, aliás, vem diminuindo nos últimos meses - , seguramos bem a coleira dizendo "não, Mila, é amigo(a)!".
Passeando com as feras
Casos como o de nossa amiga Mila são bastante brandos e fáceis de lidar, ao contrário de cães de maior porte e muito mais dominantes, ferozes e perigosos, de socialização bem mais difícil. Esses só devem sair à rua com coleira, guia e focinheira de passeio. Por sinal, a focinheira merece um parágrafo só para ela.
Não confundam a focinheira de passeio com a focinheira-mordaça usada para manter fechada a boca do bicho em procedimentos de curta duração, como exames médicos. Afinal de contas, cães e gatos transpiram pela língua, e precisam ter liberdade para transpirar à vontade durante o passeio. A focinheira mantém a boca do peludo fechada o suficiente para ele não sair mordendo, e ao mesmo tempo aberta o bastante para ele suar.
Não é aconselhável passear com este cão junto a outro - afinal, como se diz, a união faz a força -, a não ser que você seja forte o suficiente para brecar a cachorrada se ela sair correndo ou apartá-los se começarem a brigar uns com os outros. Lembremos que a força muscular de um cão equivale a aproximadamente três vezes seu peso - por exemplo, um peludo de 30 quilos tem força equivalente a 90 - e você pode ser arrastado. E mesmo que você seja um "armário" daqueles que o ideal é termos como amigo, o ideal é que você conheça bem cada um de seus peludos bravios; pratique com cada um em separado antes de sair à rua com dois ou mais de uma vez.
Outro detalhe: além de conhecer bem seu cão, conheça também a vizinhança. Procure evitar passar com ele onde haja cães que vivem soltos e que ele possa resolver enfrentar - ou que possam resolver enfrentá-lo. Muitas vezes o cão só é manso até ser provocado. Lembremos ainda que não há imã melhor para atrair um canino que outro canino; pessoas que saem às ruas com cães (ferozes ou não) têm muito mais probabilidade de atrair cães desgarrados (idem) do que pessoas "sozinhas".
Quando é preciso ajuda
A socialização de um cachorro muito bravo e dominante poderá exigir aulas para o dono e/ou treinadores profissionais para o bicho. Mas, basicamente, ela se resume a duas tarefas. Uma é ignorar o mau comportamento do cão e elogiá-lo por bom comportamento. A outra é reprimir o mau comportamento excessivo, como rosnar para cães estranhos ou tentar mordê-los. O procedimento inclui manter o cão sempre na coleira e, quando ele tentar avançar para cima de outro, repreendê-lo de alguma forma, como dar o comando de "Não!" e puxar a coleira, "enforcando-o" de leve, mas o suficiente para ele perceber que este tipo de conduta merece castigo e leva a uma sensação desagradável.
Nunca se esqueça de três outros fatos básicos. O mundo se divide em mandadores e mandados. É preciso deixar claro quem manda e quem obedece; se o cão não for comandado o suficiente, ele tomará a iniciativa de comandar, por "bem" ou por "mal", chegando a atacar e morder se não receber limites. E temos um quarto fato: tudo na vida é negociação, inclusive entre nós, pessoas, e nossos amigos peludos "quase humanos" cuja distinção é justamente - e graças a nós - ser cada vez menos feroz e selvagem que seus parentes lobos.
Por Ayrton Mugnaini Jr, especial para o Yahoo! Brasil
O cão pode ser parente até bem próximo do lobo, mas não recebeu o nome "canis familiaris" à toa. E este nome não foi a única coisa que ganhou do ser humano quando ambos se conheceram há milhares de anos.
Num ambiente onde seres humanos são maioria (embora às vezes não pareça!), o ser canino pode ser considerado "quase humano", vivendo de acordo com as leis humanas, sem precisar sobreviver e conseguir o que desejar na base da mordida, como fazia em seu tempo de selvagem. E para não maltratar ninguém ele deve ser bem tratado, com socialização atenciosa e bem realizada.
Nunca é demais lembrar a importância da boa socialização, especialmente se o canino for dos mais rebeldes e dominantes. Como já afirmei, quem toca guitarra ou canta mais ou menos pode até ganhar a vida sem machucar ninguém, mas dirigir automóvel, fazer cirurgias ou socializar um cão são atividades que só admitem duas alternativas: ou se faz muito bem, ou se delega a tarefa a quem faça muito bem.
É claro que, do mesmo jeito que muitas pessoas têm sangue quente e "viram bicho" por tudo e por nada, necessitando de mais autocontrole e às vezes até controle externo dos grandes, há muitos cães que se tornaram ou já nasceram estressados, cuja socialização é bem mais difícil, até fazendo jus à plaquinha "Cuidado, cão anti-social!" no portão.
Mas o fato de o cão ser muito bravo (especialmente se "trabalhar" como cão de guarda) não significa que ele deva passar a vida encarcerado sem direito a passear e se divertir como outros cães - desde que o dono ou pessoa encarregada de passear com ele saiba e consiga manter a fera sob controle.
Conhece teu cão como a ti mesmo
"Não se preocupe, ela só morde carteiros!" É esse o aviso bem humorado que meu filho Ivo, oito anos de idade e convivência com cães, dá a quem desconfia do jeito bravo de Mila, sua vira-lata de uns quatro anos (já falei dela em outras ocasiões) que ainda está se livrando do trauma por ter sido abandonada pelo antigo dono e efetivamente tornou-se famosa na vizinhança por avançar para morder carteiros, entregadores de gás e outras pessoas de uniformes semelhantes.
Só fomos perceber isso após Mila morder duas ou três pessoas. Realmente, devemos estar atentos a quem colocamos dentro de casa. E às vezes o canino se torna perigoso por "culpa" do dono que ou esquece de lhe dar atenção e conforto, deixando-o preso por muito tempo, ou, se o cão for filhote, acha "bonitinho" vê-lo bancando o Chiquinho Gavião e puxando briga com todo mundo - sem imaginar que o peludinho irá se tornar um peludão perigoso e não tão "bonitinho" assim. São descuidos como esse que dão a Pitbulls e Rottweilers a fama injusta de feras altamente perigosas e totalmente indomáveis.
Ivo e eu já aprendemos. Ao passearmos com Mila e divisarmos alguém do perfil que ela "adora" se aproximando, diminuímos o tamanho da guia para evitar que ela se aproxime muito e, se ela faz menção de atacar - o que, aliás, vem diminuindo nos últimos meses - , seguramos bem a coleira dizendo "não, Mila, é amigo(a)!".
Passeando com as feras
Casos como o de nossa amiga Mila são bastante brandos e fáceis de lidar, ao contrário de cães de maior porte e muito mais dominantes, ferozes e perigosos, de socialização bem mais difícil. Esses só devem sair à rua com coleira, guia e focinheira de passeio. Por sinal, a focinheira merece um parágrafo só para ela.
Não confundam a focinheira de passeio com a focinheira-mordaça usada para manter fechada a boca do bicho em procedimentos de curta duração, como exames médicos. Afinal de contas, cães e gatos transpiram pela língua, e precisam ter liberdade para transpirar à vontade durante o passeio. A focinheira mantém a boca do peludo fechada o suficiente para ele não sair mordendo, e ao mesmo tempo aberta o bastante para ele suar.
Não é aconselhável passear com este cão junto a outro - afinal, como se diz, a união faz a força -, a não ser que você seja forte o suficiente para brecar a cachorrada se ela sair correndo ou apartá-los se começarem a brigar uns com os outros. Lembremos que a força muscular de um cão equivale a aproximadamente três vezes seu peso - por exemplo, um peludo de 30 quilos tem força equivalente a 90 - e você pode ser arrastado. E mesmo que você seja um "armário" daqueles que o ideal é termos como amigo, o ideal é que você conheça bem cada um de seus peludos bravios; pratique com cada um em separado antes de sair à rua com dois ou mais de uma vez.
Outro detalhe: além de conhecer bem seu cão, conheça também a vizinhança. Procure evitar passar com ele onde haja cães que vivem soltos e que ele possa resolver enfrentar - ou que possam resolver enfrentá-lo. Muitas vezes o cão só é manso até ser provocado. Lembremos ainda que não há imã melhor para atrair um canino que outro canino; pessoas que saem às ruas com cães (ferozes ou não) têm muito mais probabilidade de atrair cães desgarrados (idem) do que pessoas "sozinhas".
Quando é preciso ajuda
A socialização de um cachorro muito bravo e dominante poderá exigir aulas para o dono e/ou treinadores profissionais para o bicho. Mas, basicamente, ela se resume a duas tarefas. Uma é ignorar o mau comportamento do cão e elogiá-lo por bom comportamento. A outra é reprimir o mau comportamento excessivo, como rosnar para cães estranhos ou tentar mordê-los. O procedimento inclui manter o cão sempre na coleira e, quando ele tentar avançar para cima de outro, repreendê-lo de alguma forma, como dar o comando de "Não!" e puxar a coleira, "enforcando-o" de leve, mas o suficiente para ele perceber que este tipo de conduta merece castigo e leva a uma sensação desagradável.
Nunca se esqueça de três outros fatos básicos. O mundo se divide em mandadores e mandados. É preciso deixar claro quem manda e quem obedece; se o cão não for comandado o suficiente, ele tomará a iniciativa de comandar, por "bem" ou por "mal", chegando a atacar e morder se não receber limites. E temos um quarto fato: tudo na vida é negociação, inclusive entre nós, pessoas, e nossos amigos peludos "quase humanos" cuja distinção é justamente - e graças a nós - ser cada vez menos feroz e selvagem que seus parentes lobos.
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Um comentário:
nossa valeu pela dica, bem q eu tentava por em mu cachorro uma focinheira q fecha a boca dele toda, agora entendi q preciso de mais outra rsrs desta vez para passeio mesmo.
meu cão é um pastor alemão de 9 anos q não saia do quintal a 5 anos pq ele quebrava todas as coleiras e se soltava na rua, a sorte era q só saiamos a noite com ele (meia noite pra lá srrs).
brigada pelas dicas um abraço meu e de Bruk's (bruquis) srs
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